A descarbonização dos transportes depende do maior uso do etanol

18/12/2018
A descarbonização dos transportes depende do maior uso do etanol

Durante a 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP24), em Katowice (Polônia), entidade ligadas à produção de biocombustíveis na Europa, Brasil e Estados Unidos propuseram que a mistura do etanol à gasolina em 10% (E10) ou mais deve ser incentivada para contribuir na redução das emissões de carbono no setor de transportes.

O Relatório Especial das Nações Unidas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), documento divulgado em novembro de 2018, destacou a necessidade de triplicar o uso de biocombustíveis no segmento de transportes até 2030, com o objetivo de limitar o aumento da temperatura média do planeta em 1,5ºC . Os países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) deveriam tornar compulsória a adição de pelo menos 10% de etanol à gasolina até o final de 2019. Os negociadores em Katowice encontraram evidências de que o setor de transportes está drasticamente atrasado.

"O etanol já é o renovável que mais contribui para o progresso climático no transporte mundial. No entanto, existe uma grande oportunidade para sua maior aplicação em economias desenvolvidas e em desenvolvimento. O etanol [anidro] funciona de forma segura e eficiente em todos os veículos movidos à gasolina, reduz de 43% a 100% as emissões de gases causadores do efeito estufa se comparado ao combustível fóssil", afirma Craig Willis, da Growth Energy U.S.A.

"O etanol não trouxe apenas redução de emissões nos transportes no Brasil, quando comparado a outros países, mas também trouxe independência econômica e desenvolvimento rural", declara Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

"A COP24 repetidamente enfatiza que conter a temperatura em 1,5ºC depende muito mais do que se faz hoje em termos de redução de emissões", completa Eric Sievers, da Ethanol Europe.

"Apesar de afirmar ser líder em questões climáticas, a Europa continua atrasada em seus esforços na descarbonização dos transportes, mesmo que agora tenha soluções que reduzam emissões nos veículos. Para muitos países que têm problemas para resolver suas metas climáticas, o E10 causará um impacto imediato", afirma Emmanuel Desplechin, da ePURE.

O E10 e misturas mais elevadas do biocombustível podem ser lançadas globalmente até 2030 para que os países alcancem suas metas e cheguem mais próximo ao objetivo climático, de aquecimento em até 1,5ºC. Enquanto países mais desenvolvidos discutem de forma desnecessária a indústria do petróleo, estão deixando de produzir bilhões de litros de etanol. Brasil, Europa e Estados Unidos podem fornecer volumes necessários para implementação rápida e completa do E10 nos países da OCDE.

 

Fonte: UNICA