A recuperação da indústria

11/01/2018
A recuperação da indústria

Há um conjunto de fatores que ajudaram a expansão dos negócios no ano passado e que se mantém em 2018, como os juros em níveis historicamente baixos, a recuperação do mercado de trabalho e a retomada da confiança

A indústria superou uma de suas crises mais agudas em muitos anos. Após três anos consecutivos de queda, a produção industrial cresceu em 2017. É o que sugerem dados recentes. Em novembro, por exemplo, a produção industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi 4,7% maior do que a de um ano antes, o maior crescimento para o mês desde 2010; no resultado acumulado em 12 meses, a produção avançou 2,2%, a maior alta desde setembro de 2013. A produção de veículos, com impacto sobre diversos setores de produção, foi ainda mais expressiva. No ano passado, o número de unidades produzidas pelas montadoras foi 25,2% maior do que o de 2016, de acordo com a associação das empresas da área, a Anfavea.

A crise iniciada na época em que a presidente cassada Dilma Rousseff estava em plena campanha em busca da reeleição – e que ela e a sua equipe petista esconderam da população – foi particularmente nociva para o setor industrial, cujo peso no Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzido dramaticamente nos últimos anos. Em 2014, a produção industrial caiu 3,0% em relação ao ano anterior; em 2015, a queda foi de 8,3%; e em 2016, de 6,4%. Isso resultou em encolhimento de praticamente 17% nesses três anos, o que certamente teve forte impacto sobre o mercado de trabalho e sobre a renda da população.

A recuperação é auspiciosa, mas lenta, de modo que a produção ainda é baixa e a indústria continua a operar com grande capacidade ociosa. Mesmo com os resultados positivos que vêm sendo acumulados nos últimos meses, em novembro o desempenho da indústria continuava 16,7% abaixo do pico da produção registrado em julho de 2013, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física do IBGE.

A redução desse hiato em relação ao pico da produção é contínua e a recuperação tem se ampliado para os diferentes ramos industriais. Em novembro, na comparação com os números de um ano antes, 20 dos 26 ramos incluídos na pesquisa do IBGE aumentaram a produção. O crescimento alcançou todas as categorias de uso, 56 dos 79 grupos e 59% dos 805 produtos pesquisados.

São particularmente relevantes os resultados dos bens de consumo duráveis, produtos em geral de maior valor e cuja compra, por isso, depende de disponibilidade de renda e de financiamento e sobretudo da confiança do consumidor de que sua situação financeira não correrá riscos no futuro próximo. Depois de registrar queda de 3,3% no terceiro quadrimestre de 2016 e de 0,2% no primeiro quadrimestre de 2017 (sempre em relação a igual período do ano anterior), a produção de bens de consumo iniciou uma vigorosa recuperação, com aumento de 3,1% no segundo quadrimestre do ano passado e de 4,3% no período setembro-novembro.

Essa recuperação foi puxada pela produção de automóveis (crescimento de 8,5% no primeiro quadrimestre de 2017, de 13,5% no segundo e de 16,5% no período setembro-novembro). Também o aumento da produção de eletrodomésticos foi exuberante no ano passado (12,9%, 7,7% e 12,3% nos períodos citados).

Como ocorreu em outros ramos industriais, a produção de veículos voltou a crescer em 2017 depois de três anos seguidos de retração. As vendas internas aumentaram 9,2% e as externas, 46,5%. Com isso, as exportações passaram a representar 28% da produção das montadoras, próximo do recorde de 30% registrado em 2005. Entre 2005 e 2014, com o crescimento contínuo do mercado interno, a fatia das exportações encolheu; a situação se inverteu em 2015.

Mas, agora, as expectativas são de crescimento vigoroso também das vendas internas. Entidades ligadas ao segmento automobilístico estão projetando aumento de 9% das vendas no mercado interno. Há, de fato, um conjunto de fatores que ajudaram a expansão dos negócios no ano passado e que se mantém em 2018, como os juros em níveis historicamente baixos, a recuperação do mercado de trabalho e a retomada da confiança. A preservação desse quadro dependerá da evolução da situação política.

 

Fonte: O Estado de S.Paulo