Açúcar e etanol: para onde vão os preços na segunda metade da safra atual?

18/09/2020
Açúcar e etanol: para onde vão os preços na segunda metade da safra atual?

Esta safra está se mostrando positiva para o resultado econômico-financeiro das usinas. As taxas de juros são relativamente baixas e os preços relativamente altos

No período abril de 2020 a setembro de 2020, o etanol hidratado apresenta no Brasil canavieiro (Centro-Sul e Norte-Nordeste) preços entre 8% e 11,5% abaixo da safra passada. No caso do açúcar, os preços são superiores, em torno de 15,5% a 18,5%. Como consequência, o faturamento do setor, em São Paulo, com aumento do mix açucareiro na safra, é 13% superior àquele do mesmo período da safra passada e os custos da safra devem ser menores.

Sob este aspecto, a Covid-19 não afetou negativamente o faturamento do setor. Aliás, esta é uma das consequências da Covid-19: afetar os setores de maneira desigual.

Mercado internacional

Economia global.

A consciência de uma recuperação lenta da atividade econômica começa a ganhar corpo. Prudência e cautela nas decisões de investimento ainda ocorrem. As eleições americanas podem trazer volatilidade ao “mercado” nos próximos meses. A vacina para a Covid-19, ao invés de criar solidariedade na solução do problema, está se transformando numa “guerra fria” envolvendo Rússia, China e EUA. O pagamento da conta da Covid 19 para os governos e sociedade é uma questão em aberto.

Este é o momento atual da economia global, juntamente com a esperança de dias melhores. Tudo dependerá das lideranças políticas de cada país, que têm tido comportamento muito variado.

Câmbio.

O dólar no Brasil, nos últimos quatro meses, oscilou entre R$ 5 e R$ 6. O ambiente político interno permanece de incertezas e esperança de dias melhores. Um “otimismo cauteloso” sobre algum compromisso fiscal por parte do governo federal e o andamento das reformas existe. Em contrapartida, há uma desconfiança da permanência do ministro Paulo Guedes no governo Bolsonaro.

Para onde vai o câmbio daqui para frente? Neste ambiente interno atual, o intervalo acima referido é um cenário provável.

Petróleo WTI.

Seguimos sem argumentos relevantes para sustentar o crescimento de preços no curto prazo em busca de US$ 50 por barril. A esperança de dias melhores contrapõe-se a notícias negativas apoiadas no mundo real. A demanda de combustíveis do ciclo Otto dificilmente retoma níveis pré-Covid-19 neste ano. O excesso de oferta global é fator baixista para preços. Preços de petróleo americano WTI em torno de US$ 40 por barril é um cenário possível para os próximos seis meses.

Açúcar-NY:

Nos próximos dois meses, o açúcar pode ficar oscilando na faixa de 11,50-13 cents por libra peso. Após esse período, a faixa inferior deste intervalo pode ser rompida, pois existe previsão de excesso da oferta global de açúcar. E esse excesso pode ser grande: da ordem de 10 milhões de toneladas.

Mercado interno

Região Centro-Sul.

Açúcar: a oferta de açúcar para o mercado interno está sendo restrita devido a exportações recordes previstas para esta safra. Isso dá suporte para preços que estão atipicamente altos no período abril de 2020 a setembro de 2020 e remuneram adequadamente o produtor. No estado de São Paulo, o preço médio do açúcar neste período alcançou R$ 70,60 por saca 50 kg. Na safra passada, foi R$ 59,60 por saca no mesmo período.

Daqui para frente, esperamos que os preços de mercado interno fiquem arbitrados com o mercado externo e incorporem algum prêmio de logística de exportação. Dificilmente os preços serão menores que R$ 70 por saca até o fim da safra, em março de 2021.

Etanol: os preços no início da pandemia da Covid-19 caíram com muita força. Passaram de 2,15 R$/litro, sem imposto, para 1,25 R$/litro no início de abril de 2020. Isso ficou em linha com o que aconteceu nos mercados de combustíveis líquidos pelo mundo afora. Por outro lado, a recuperação de preços também foi rápida: passaram de 1,25 R$/litro para 1,65 R$/litro no período abril-junho.

E daqui para frente? O que deve acontecer com os preços do etanol?

Tudo vai depender da recuperação da demanda de combustíveis no Brasil e no mundo. A oferta de etanol das usinas será menor nesta safra, o que ajuda a fechar o balanço de oferta-demanda. Contudo, é uma situação de incerteza, dado que o equilíbrio do mercado depende do tamanho da redução da demanda e da oferta. Por enquanto, este balanço sugere equilíbrio e viés de alta para preços.

No dia 23 deste mês, vamos fazer a nossa segunda vídeo conferência para discutirmos o que esperar dos preços de açúcar e etanol. A discussão entre os participantes é muito rico para ajudar a pensar. Vamos em frente!

Fonte: Julio Maria M. Borges - Canal Rural