Agro Retiro adota plantio de cana com tecnologia avançada e reduz custo da operação

06/02/2020
Equipamentos modernos realizam diversas funções ao mesmo tempo, reduzindo custo e tempo / Crédito: Agro Retiro
Equipamentos modernos realizam diversas funções ao mesmo tempo, reduzindo custo e tempo / Crédito: Agro Retiro

O setor sucroenergético brasileiro está descobrindo uma nova maneira de plantar cana-de-açúcar. Com a possibilidade de utilizar equipamentos modernos que realizam diversas funções ao mesmo tempo, usinas e produtores de cana estão reduzindo o custo e melhorando a qualidade das operações em áreas onde ocorre o plantio mecanizado ou mesmo o manual. 

Exemplo disso é a Agro Retiro, de Araras, SP – fornecedora de cana para a Usina São João localizada no mesmo município –, que começou a fazer o plantio com uma máquina dotada de tecnologia avançada que está revolucionando essa etapa do processo de produção de cana-de-açúcar. 

A empresa adquiriu uma Plantadora de Cana Picada PCP 6000 Automatizada, da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas, em sua versão completa, que conta com o Controlador de Taxa Fixa, a Distribuidora de Calcário e o Sulcador com Dispositivo Destorroador, entre outros recursos. 

A primeira experiência da Agro Retiro com a plantadora automatizada ocorreu em novembro do ano passado. O custo do plantio, realizado com a nova máquina, ficou em torno de R$ 5.200,00 por hectare – revela Mateus Pastre, um dos cinco sócios da empresa. Antes disso, o plantio era realizado com distribuidora de cana, que apresentava um custo entre R$ 6.500,00 a R$ 6.800,00.  

A diferença aumenta ainda mais quando ocorre a comparação com o plantio manual – prática que a Agro Retiro deixou para trás há alguns anos. Em valores atualizados, essa operação ficaria entre R$ 7.800,00 a R$ 7.900,00 por hectare – calcula Mateus Pastre, que é responsável pela área financeira e administrativa da empresa.

O custo do plantio com a plantadora automatizada pode ter uma queda mais significativa a partir da utilização de todos os recursos disponibilizados pelo equipamento – afirma. “Estamos conhecendo a máquina”, afirma. No plantio realizado em novembro, ocorreu o preparo convencional do solo. Mas, para o do mês de fevereiro deste ano, houve o emprego do Sulcador com Dispositivo Destorroador, que aprimora, simplifica e barateia o preparo do solo, diminuindo as operações convencionais, dependendo das condições da área. 

No plantio de novembro, a Agro Retiro não utilizou a Distribuidora de Calcário. Para o plantio de fevereiro, programou a operação normal de aplicação de calcário e também a utilização, em algumas áreas, da distribuidora de calcário da plantadora.

O que mais impacta na redução do custo de plantio, quando ocorre a comparação entre o plantio realizado com a máquina automatizada e a distribuidora de cana, é a diminuição do número de operações – diz Mateus Pastre. “A plantadora faz tudo (sulcação, distribuição de mudas de cana e cobrição). Com a distribuidora, é preciso abrir o sulco com um implemento para essa finalidade, distribuir cana com a distribuidora e usar o cobridor dos toletes no sulco. A plantadora faz essas operações em uma passada só”, enfatiza. 

Com a mudança do sistema de plantio, ocorreu a redução da mão de obra utilizada. A distribuidora exigia o trabalho de três pessoas, enquanto a plantadora requer um operador – compara. Em decorrência da redução da quantidade de operações, houve também economia de óleo diesel. 

Segundo Mateus Pastre, a Plantadora de Cana Picada PCP 6000 Automatizada possibilitou a diminuição da quantidade de mudas usadas no plantio. “Estamos utilizando 14 toneladas de mudas por hectare. A nossa meta é usar 12 toneladas de mudas”, planeja. Com a distribuidora, o consumo de mudas estava em 18 toneladas. A Agro Retiro possui 800 hectares de cana, sendo 300 de área própria e 500 arrendados. 

A plantadora distribui as mudas de maneira mais homogênea – observa. Segundo ele, com a distribuidora havia necessidade de jogar um pouco mais de cana no sulco para que não ocorressem falhas. Outro benefício proporcionado pela plantadora é minimizar o pisoteio – destaca. “Com a distribuidora, o trator passava em cima da muda no momento de cobrir o sulco”, conta. 

Além da utilização da plantadora automatizada, essa unidade de produção de cana de Araras adota diversos cuidados básicos para que o plantio mecanizado seja bem-sucedido. Na hora de colher as mudas, a Agro Retiro usa a colhedora preparada para essa finalidade, instalando o kit protetor para que não sejam causados danos à gema. Outra preocupação está relacionada à qualidade da muda. “Sempre que possível procuramos usar uma muda mais nova, de 10 meses a 1 ano”, diz. 

Mateus Pastre observa que o Controlador de Taxa Fixa – outro recurso da plantadora automatizada – interfere na qualidade das operações. Otimiza a aplicação de insumos – afirma. 

Melhorias constantes - O Controlador de Taxa Fixa é a novidade mais recente da Plantadora de Cana Picada PCP 6000 Automatizada. Esse recurso mantém as dosagens calibradas e programadas de insumos (adubo, fungicida e inseticida) e de mudas de cana, mesmo que ocorra a alteração da velocidade do trator. Ajuda a garantir a distribuição uniforme de toletes, o que favorece também a redução do consumo de mudas no plantio. 

Desde que foi lançada em 2014, a PCP 6000 Automatizada tem sido aprimorada pela DMB Máquinas e Implementos Agrícolas. “Estamos sempre preocupados em incorporar mudanças à plantadora visando reduzir ainda mais a quantidade de mudas, elevar a eficiência das operações e diminuir custos”, comenta o engenheiro agrônomo Auro Pardinho, gerente de marketing da empresa. 

As Caixas Aplicadoras de Calcário (Óxidos) – uma das inovações adicionada à plantadora – está contribuindo para uma melhoria significativa na produtividade do canavial, devido a excelente resposta da cultura da cana ao uso de cálcio e magnésio prontamente disponíveis à cultura além da melhoria na absorção do fósforo, ressalta o gerente de marketing. 

O Sulcador com Dispositivo Destorroador foi o primeiro recurso incorporado à versão original da máquina. Aprimora o preparo do solo, criando um ambiente propicio para a brotação da gema. Em consequência disso, contribui para a redução do número de falhas e da quantidade de mudas utilizadas no plantio. Dotado de uma haste que pode atingir uma profundidade de até quarenta centímetros, este acessório elimina torrões e ondulações do terreno. O implemento reduz o número de operações do preparo de solo convencional, diminuindo o custo desta etapa do processo de plantio de cana.

Todas essas melhorias foram adicionadas aos recursos originais da máquina, melhorando seu desempenho e custo benefício – enfatiza Auro Pardinho.

 

Fonte: CanaOnline