Cereais têm potencial para produção de etanol

06/09/2019
Cereais têm potencial para produção de etanol

Apesar de estar intimamente ligada à cultura da cana-de-açúcar no Brasil devido às condições agroclimáticas, a cadeia do etanol vê nos cereais a melhor oportunidade de crescer no Rio Grande do Sul. Além de empreendedores que estão dispostos a investir nessa possibilidade, o setor está próximo de conquistar um arcabouço legal para dar garantia jurídica às iniciativas a serem desenvolvidas nessa área.  

A Frente Parlamentar em Defesa da Produção e Autossuficiência de Etanol da Assembleia Legislativa pretende constituir por lei um programa estadual de incentivo à produção de etanol. "Para darmos uma segurança política para investimentos e para essa produção é preciso ter uma medida como essa que junta todos os decretos, legislações de incentivos, Fundopem e tudo mais em um único programa", enfatiza o coordenador da Frente, deputado Elton Weber (PSB). O parlamentar diz que nas próximas semanas a proposta será entregue ao governador Eduardo Leite. Entre outros pontos, o texto prevê crédito presumido para usinas e diferimento de ICMS para investimentos em máquinas e equipamentos industriais.  

Weber frisa que a fabricação do combustível abre uma nova possibilidade de renda para os produtores e para o Rio Grande do Sul. O deputado recorda que 99% do álcool consumido pelos gaúchos é oriundo de outras regiões. Hoje, a principal unidade de fabricação do combustível no Estado é a planta da Cooperativa dos Produtores de Cana de Porto Xavier (Coopercana). Apesar de o complexo em Porto Xavier ser alimentado com cana, Weber salienta que não é somente com essa planta que é possível produzir o etanol, é também viável com triticale, batata-doce, milho, entre outras matérias-primas. O parlamentar considera que, no Rio Grande do Sul, os cereais são os insumos mais vocacionados para a fabricação do álcool combustível. O deputado cita o exemplo do milho que, assim como poder gerar o etanol, a sobra da produção pode ser destinada como ração animal.  

Weber informa que há projetos de usinas em andamento em cidades como Santiago, Campo Novo, Camaquã, Viadutos, Palmeira das Missões e Carazinho. Nesse último município, o empreendimento é conduzido pela Rede Boa Vista que, além de supermercados, conta com 13 postos de combustíveis na região. O proprietário da Rede Boa Vista, Henrique Leonhardt, concorda que o Rio Grande do Sul tem mais vocação para produzir etanol de insumos alternativos à cana-de-açúcar. O empresário ressalta que essa cultura não tem o mesmo rendimento no Estado como em São Paulo, por exemplo. "O caminho no Rio Grande do Sul será com cereais, não com cana", projeta.  

A ideia original da Rede Boa Vista era concluir a sua usina em novembro, no entanto, conforme Leonhardt, devido ao trâmite dos licenciamentos ambientais, a finalização da obra deverá ocorrer até junho de 2020. A principal matéria-prima a ser aproveitada pelo complexo será a batata-doce, seguida do sorgo e milho. Esses insumos serão obtidos em um raio de até 80 quilômetros da estrutura. Deverão ser envolvidos na ação cerca de 900 hectares e mais de 80 produtores.  

A estimativa do valor do investimento na usina também subiu de cerca de R$ 25 milhões para mais de R$ 30 milhões. Leonhardt detalha que essa mudança ocorreu devido à aquisição de equipamentos como plantadeiras e colheitadeiras que serão cedidos para os produtores que fornecerão as matérias-primas. "No projeto inicial, a gente achou que o pessoal iria comprar (as máquinas), mas como ninguém quer arriscar, nós fomos lá e compramos. Como a gente tem plena certeza que vai dar certo, investimos", afirma o proprietário da Rede Boa Vista.

 

Fonte: Jornal do Comércio