Etanol de milho: mercado consolidado

14/05/2019
Etanol de milho: mercado consolidado

A safra de milho terminou no Mato Grosso no mês de março. Até o fim de janeiro o Estado tinha colhido mais de 1,1 milhão de toneladas do grão e produzido mais de 452 metros cúbicos (m³) de etanol, destes, 172.060 m³ de anidro e 280.913 m³ de hidratado.

Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil, a safra 2017/2018 chegou a 943.123 toneladas. O Estado se destaca por ser o maior produtor nacional do grão, sendo todo ele produzido em segunda safra.

O diretor-executivo Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (SindAlcool/ MT), Jorge dos Santos, explica que a produção de etanol agrega valor ao milho. O foco é a produção do DDG (que significa grãos secos por destilação, na sigla em inglês), um concentrado proteico que é uma alternativa economicamente viável para a alimentação animal. Do resíduo do milho desta produção é produzido o etanol.

Assim, o DDG é o produto principal da industrialização do milho considerando-se que Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do país, 30 milhões de cabeças, e também nove milhões de suínos, além de uma avicultura e uma piscicultura em forte expansão. “A utilização do DDG no rebanho leiteiro aumentou a produtividade em 14%”, explica Santos.

A grande produção e a distância dos portos fazem com que o Estado comercialize o milho mais barato do mundo. “Isso tem sido um grande incentivador da indústria de etanol de milho. O Estado está sedento por aumento de eficiência e produtividade, logo, grande demandador para o DDG a partir do milho a ser produzido”, explica o presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Ricardo Tomczyk.

Pprodução

Em 2018, foram produzidos no Brasil cerca de 880 milhões de litros de etanol de milho, sendo que Mato Grosso participou com quase 75% da produção, com aproximadamente 660 milhões de litros. A expectativa da Unem para 2019 é uma produção de aproximadamente 1,45 bilhões de litros, com Mato Grosso participando de 1,1 bilhões de litros desse total. E que ainda em 2019, a produção de etanol a partir do milho seja superior ao da cana no Estado.

O presidente do SindAlcool/MT é mais cauteloso e não prevê datas. Para ele, o etanol de milho vai superar ao tradicional de cana em função da alta produção do grão. “Considerando-se que estamos a usar apenas 50% da área destinada à soja, apenas a área do milho safrinha”, pontua.

Atualmente, o Estado do Mato Grosso conta com 13 usinas – 10 de cana, sendo que três agregam também o milho – e três exclusivas de milho, sendo que duas estão em início de operação. Também estão em construção outras três unidades dedicadas a milho – a Etamil, em Campo Novo do Parecis; a Inpasa, em Sinop, e FS Bioenergia, em Sorriso.

Segundo Tomczyk, há inúmeros outros projetos em fase de licenciamento e de viabilização do financiamento para início de construção, não apenas em Mato Grosso, mas também em Goiás. “A expectativa é que o setor alcance até 2028, de 17 a 20 milhões de toneladas de milho sendo processadas para esse fim no Brasil, chegando a uma produção de algo em torno de 7 a 8 bilhões de litros”, revela.

Como visto, o Estado prevê o crescimento do etanol de milho, pois que cana apresenta apenas um crescimento vegetativo, já que não há investimento em novas unidades produtoras.

Cana X milho

O etanol, seja de cana-de-açúcar ou de milho, que chega ao consumidor final é o mesmo, ambos seguem as especificações de padrão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mas as cadeias produtivas são bastante diferentes.

“Não há que se comparar cana-de-açúcar com milho, por suas características agrícolas completamente diversas. A utilização do milho representa a industrialização de matérias-primas, com geração de empregos, agregação de valor e imposto em Mato Grosso, explica presidente do SindAlcool/ MT.

Ricardo pontua que no etanol de milho já tem uma cadeia a ligada à produção de grãos bem desenvolvida, o que garante fornecimento de grandes excedentes de matéria-prima imediata. As indústrias, nesse caso, somente se preocupam em originar a matéria-prima e não em produzi-la. Outra novidade é a estreita ligação com a cadeia de carnes, uma vez que a indústria é fornecedora de DDG. O conjunto de produtos resultantes desse processo – ainda incluídos o óleo de milho e a cogeração de energia elétrica – somados ao baixo custo do milho, garantem uma extrema competitividade ao negócio. “O etanol de milho é um negócio que veio ao Brasil para ficar. É como nadar a favor da correnteza”, afirma Tomczyk, da Unem.

O impacto do etanol de milho no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é crescente. Em 2012 foi R$ 25 milhões, já em 2018, chegou a R$ 80 milhões. “E deverá alcançar algo em torno de R$ 400 milhões com a entrada em operação das novas unidades em construção”, pontua o presidente do SindAlcool/ MT.

Gargalos

Mas nem tudo é tranquilidade. A produção de etanol a partir do grão não recebe nenhuma politica pública específica. Para a Unem, a questão tributária, principalmente do ICMS no Estado de Mato Grosso ainda traz insegurança.

Outro ponto, de curto prazo, é o fornecimento de biomassa para a geração de energia industrial, mas que também tem gerado grandes oportunidades para o setor de florestas plantadas. E o mais complexo é a deficiência na infraestrutura de logística do Mato Grosso.

O SindAlcool/MT complementa que hoje é utilizado para o escoamento da produção apenas o transporte rodoviário e que a partir de abril a malha ferroviária a partir de Rondonópolis será utilizada.

“Somos o maior Estado produtor e estamos em uma condição de superavitário em relação a nosso consumo. Mato Grosso precisa escoar a produção toda para outros estados. Avanços estão acontecendo, mas ainda encontramos desafios”, reflete o presidente executivo da Unem.

Para solucionar esta questão, a Logum Logística, empresa responsável pelo etanolduto, realizou uma visita técnica ao Estado e afirmou que há possibilidades mercadológicas de expandir o etanolduto até Mato Grosso, mas ainda não existem datas. “Estamos trabalhando fortemente para trazer o etanolduto até nosso estado, o que será a redenção definitiva para o transporte de etanol”, pondera Jorge, presidente do SindAlcool/ MT.

 

Fonte: Canal-Jornal da Bioenergia | Cejane Pupulin