O investimento para instalar uma planta de etanol de milho

10/01/2020
Foto: Planta da FS Bioenergia (divulgação)
Foto: Planta da FS Bioenergia (divulgação)

Se for fazer só para produzir DDG e etanol, R$ 50 milhões bastam, mas projeto pode chegar a R$ 500 milhões

Dos 35 bilhões de litros de etanol produzidos na safra 2019/20, 1,5 bilhão tiveram como matéria-prima o milho. A tendência é que o combustível proveniente do milho passe a ocupar mais espaço ano a ano, pois novas plantas de produção estão sendo implementadas. Mas quanto custa montar uma destilaria de etanol de milho?

Segundo Jorge dos Santos, diretor-executivo da Sindalcool-MT, o investimento depende do que a unidade vai produzir. “Se for fazer só DDG e etanol, R$ 50 milhões bastam. Mas para uma usina de etanol de milho, bem constituída, R$ 250 milhões é o número base. Nesse caso, a produtividade será maior, haverá aproveitamento do óleo, do qual 7% é óleo comestível, terá a energia para tocar a fábrica e ainda comercializar o excedente. Mas pode avançar ainda mais, chegar aos R$ 500 milhões e produzir mel do milho, etanol para a indústria farmacêutica. Á medida que vai agregando tecnologia, o custo de implantação do projeto é maior, mas proporcionará uma gama maior de produtos.”

O milho processado por todas essas unidades é adquirido de produtores

O milho processado por todas essas unidades é adquirido de produtores. Jorge explica que é feito um contrato de fornecimento, com preços definidos e clausulas de reajuste definido. “Isso já está funcionando a mil maravilhas. A FS, por exemplo, é 100% milho de terceiro. Não tem sentido ter lavoura própria. Na Etamil, os associados têm cana, soja, milho, gado. Foi uma decisão natural produzir etanol. Porque eles próprios vão consumir a produção de DDG e fornecer o milho que já produzem. Na cabeça dos produtores, o DDG é o produto e o etanol é o subproduto. O que eles querem é transformar 1 tonelada de milho em 280 kg de proteína para alimentar gado, porco, aves e peixe. Para a usina é a mesma coisa. É o mix que viabiliza. Para ser viável, é preciso somar a rentabilidade do DDG e do etanol.”

Usimat, faz parte do pioneirismo na produção de etanol de milho no Brasil, começou como destilaria de etanol de cana.

O problema hoje do etanol de milho é a energia, observa Jorge. “O DDG sai com 70% de umidade, é preciso secar para 14%, se não apodrece em três dias. Para que isso não ocorra, há duas alternativas: ter um confinamento ao lado para que saia da linha de produção e dê para o gado comer ainda quente; ou então secá-lo. Seco ele dura a eternidade. Só que para isso, precisa de vapor, aí haja energia. E o milho não fornece a biomassa, como faz a cana. Para sanar este problema, muitos estão plantando eucalipto precoce que com cinco a seis anos fica pronto, porque é a matéria-prima ideal para fazer energia para essas indústrias full. E também é bom em termos de reflorestamento, atingindo outro lado da COP 23.”

 

Fonte: CanaOnline