Patrimônio agroindustrial brasileiro, Engenho Central é restaurado após incêndio

27/07/2020
Fachada dos remanescentes do Engenho Central em Piracicaba (SP) (Foto: Comunicação SemacTur/Divulgação)
Fachada dos remanescentes do Engenho Central em Piracicaba (SP) (Foto: Comunicação SemacTur/Divulgação)

Principal remanescente paulista da implantação do sistema de engenhos centrais no Brasil, espaço segue fechado para visitação devido à Covid-19

Construído por decreto imperial a partir de 1881, o Engenho Central de Piracicaba, no interior de São Paulo, viu parte de sua estrutura histórica ficar em chamas em setembro do ano passado. O incêndio no dia 22 do mês atingiu aquilo que sobrou da grande propriedade produtora de açúcar, tipo de edificação agroindustrial que passou a ser utilizada no Brasil no final do século XIX. A causa foi um curto-circuito no cabeamento elétrico do Barracão 09.

No começo de julho de 2020, entretanto, as obras de restauração dos barracões atingidos - de números 09 e 10 - foram finalizadas. Iniciada em maio, a reforma parcial de adequação da estrutura e da rede elétrica não comprometeu as características arquitetônicas originais do Parque do Engenho Central, de acordo com as autoridades municipais. A infraestrutura atingida foi revitalizada pela recuperação e troca de janelas, telhado, forro, banheiro, portas, rede elétrica e pintura.

Em nota divulgada pela Secretaria Municipal de Ação Cultural e Turismo de Piracicaba (SemacTur), a secretária da pasta, Rosângela Camolese, afirmou que os serviços foram levaram funcionalidade e beleza ao espaço. Agora, o local atingido pelo incêndio acomoda uma sala da administração do Parque, além da coordenadoria do Programa Movimentação Cultural e o Centro de Documentação, Cultura e Política Negra (CDCPN).

Apesar da finalização da reforma na estrutura histórica em razão do fogo, o Parque do Engenho Central segue fechado e sem data certa para voltar às atividades culturais e sociais que promove. De acordo com a secretária da SemacTur de Piracibaca, a reabertura aos visitantes depende da liberação do governo estadual em razão da pandemia de coronavírus.

Importância atual

A finalização da restauração em decorrência do incêndio traz à tona novamente a importância da preservação de prédios históricos no Brasil, principalmente em se tratando de edificação voltada ao processo agroindustrial do país.

Tombado nos âmbitos municipal e estadual como patrimônio industrial e fabril, o Engenho Central teve tombamento nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Rosângela Camolese afirma que as instalações servem de inspiração para artistas, arquitetos, pesquisadores científicos, turistas e amantes da história. "Ele é, também, um significativo sítio histórico da evolução urbana de Piracicaba", completa a secretária.

Segundo o administrador atual do engenho, Dermival da Silva Pinto, o local é como uma história viva que deve ser preservada. “Para mim, além de ser um ponto turístico, é uma história dentro da cidade. É bem marcante, é uma história viva. É difícil hoje a gente encontrar um local desses’’, avalia.

História

A fala do admistrador do Parque corrobora com posição do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat), que designa o local como “principal remanescente paulista do projeto de implantação do sistema de engenhos centrais no Brasil”.

Erguido no local de fundação da Freguesia de Santo Antônio de Piracicaba, o engenho original foi construído com materiais importados da França, como a estrutura de ferro pré-fabricada. O local ''não seguia o padrão tipológico e construtivo tradicional dos engenhos centrais pioneiros no Brasil, do final do século XIX e início do XX", como relatam os autores Marcelo Cachioni e Beatriz Mugayar Kühl no artigo "Engenho central de Piracicaba: recuperação da memória arquitetônica a partir da arqueologia industrial".

Assim, teve suas atividades iniciadas em 1882 com a finalidade de processar toneladas de cana-de-açúcar com mais rapidez que aqueles movidos à força de mula. A unidade poderia então transformar a cana em açúcar, melaço e aguardente de cana.

 

Fonte: Revista Globo Rural / Saulo Tafarelo, com supervisão de Lenadro Becker