SEMINÁRIO BIOELETRICIDADE/BIOGÁS – ENTIDADES DEFENDEM CRIAÇÃO DE SECRETARIA DE ENERGIAS RENOVÁVEIS NO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIAS

20/08/2020
SEMINÁRIO BIOELETRICIDADE/BIOGÁS – ENTIDADES DEFENDEM CRIAÇÃO DE SECRETARIA DE ENERGIAS RENOVÁVEIS NO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIAS

Tradicionalmente realizado dentro da agenda técnica da FENASUCRO & AGROCANA, o seminário voltado para abordar a bioeletricidade, promovido pela parceria CEISE Br / Única – União da Indústria da Cana-de-Açúcar, aconteceu nesta quarta-feira, 19, em formato de webinário.

Já na abertura do evento, o Vice Presidente do CEISE BR, Rafael Gomides, fez uma reflexão sobre o segmento dizendo da “necessidade de geração de energia para o mundo que é cada vez maior, embora, em função da pandemia há registro de uma pequena queda, mas temos que pensar a longo prazo, e pensar a longo prazo nos leva diretamente para as energias renováveis”, ponderou.

Ao falar sobre as perspectivas para a retomada de investimentos no segmento, Gomides comemorou a aprovação, no último dia 13 de agosto, do Projeto de Lei 3.975, que aguarda sanção presidencial. Para o dirigente, “a medida contribuirá para destravar as liquidações financeiras no Mercado de Curto Prazo, o que trará estímulo para as usinas sucroenergéticas que possuem capacidade de produção de energia porque passarão ser remuneradas adequadamente, fomentando assim este mercado, que é bom, inclusive, para as indústrias de equipamentos, que o CEISE Br representa”.

Alessandro Gardemann, Presidente-Executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABIOGÁS), elogiou a realização do seminário: “eu não tenho dúvida que este evento foi definitivo para fazer esse mercado de bioeletricidade com geração de cana bombar no Brasil, esse mercado que foi construído em menos de vinte anos e tem muito haver com esse trabalho de vocês”, ponderou.

Para Gardemann “o biogás vai precisar de tudo que a indústria nacional tem condição de entregar. Tem muita obra civil, muito equipamento eletromecânico, muita automação, tudo que a gente tem condições de produzir localmente”, avaliou.

O representante da ABIOGÁS ponderou que haverá a necessidade de parcerias para desenvolvimento de novas tecnologias, contribuindo também com a evolução do mercado industrial nacional.

Destacou que o mundo inteiro está buscando solução para uso de gás em veículos pesados, e o metano está inserido nas possibilidades futuras. Ressaltou que “a gente tem um potencial gigantesco”. O dirigente criticou as políticas para o setor dizendo que que o país não aproveita o que já está sendo produzido, que poderia substituir até 70% do diesel consumido no Brasil hoje”, e completou: “estamos cometendo um crime, não aproveitar algo que já está sendo produzido. Nós já gastamos insumos pra plantar, pra produzir, e não estamos aproveitando adequadamente, desperdiçar o metano, a mesma quantidade de gás que o Brasil consome hoje. Tudo aquilo que a gente quer crescer no Pré-Sal, nos próximos 10 anos, um gás que está a 550 quilômetros da costa, está a 3 quilômetros de lâmina d`água, mais 3 quilômetros de sal, é o volume de gás que nós não estamos aproveitando, gás que está aqui do nosso lado, produzido localmente, perto do local de consumo de diesel, perto da onde a gente precisa de energia elétrica descentralizada, perto de onde a gente precisa de energia elétrica na base, não está sendo aproveitado” enfatizou.

Em sua ampla explanação sobre as perspectivas para o setor, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, Diretor de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, fez uma autocrítica com relação à estrutura governamental no tratamento referentes ao Renovabio e bioenergia, porque o biocombustível fica na secretaria de petróleo e gás e a bioeletricidade está em outra secretaria distante da função dos biocombustíveis e defendeu a criação de e implantação, dentro do Ministério, de uma Secretaria de Energias Renováveis, “em que seja tratado o biocombustível, energia elétrica e biogás, numa só representação, porque hoje é tratado como uma sub alternativa e esse setor cresceu tanto que ele é muito importante. O etanol representa quase 50% do fornecimento do combustível líquido em termos absoluto, tanto de anidro como hidratado, e vamos chegar a 20% da produção total de energia”

Zilmar de Souza, corroborando com as colocações do representante do MME, apresentou números do Estado de São Paulo em que “o setor gerou, de janeiro a junho deste ano, de biomassa da cana-de-açúcar, 8,4 TW/h, o que representou atender a 21,5% do consumo residencial no estado no ano passado inteiro, isso aproveitando apenas 15% do potencial”.

Ainda segundo Zilmar de Souza, o setor é “de térmicas vocacionais, fortemente complementada da fonte hídrica, sazonais, mas não intermitentes, e a geração do primeiro semestre, já compõe o equivalente a 6 pontos percentuais das águas armazenadas no sudeste e centro este do país, que é a grande caixa d´´agua que temos no setor elétrico nacional, um dos atributos que devem ser cada vez mais valorizados.” Observou.

Palestrou no evento, Bárbara Rubim - Coordenadora de Negócios em Geração Distribuída de Energia na RAÍZEN e Vice Presidente Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) que enfatizou acreditar no “potencial da bioenergia, pra conduzir o desenvolvimento e a diversificação da matriz energética brasileira, como uma alavanca para ajudar o Brasil a se recuperar, mas também com estímulo aos setores que de fato a capacidade de arrecadação e de investimento perene”, disse.

Para Rubim, “quando a gente olha para o setor das renováveis, estamos falando de um setor que tem toda capacidade de pra ser um agente de mudança dentro das medidas que visam a recuperação de médio e longo prazos do Brasil”, ressaltou.

Também em sua análise, Rubim acrescentou que “se a gente está falando de uma agenda de recuperação econômica, quando a gente estimula a bioenergia, está estimulando uma cadeia produtiva que é consolidada, e que gera empregos de qualidade no interior e de forma descentralizada neste país”.

Para Newton Duarte - Presidente-Executivo da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN), “para a retomada de mercado de biogás, é preciso regulação das chamadas públicas, atendendo as necessidades dedicadas, sem obrigação de compra de quotas específicas, menor número de leilões com mercado regulado, em função da migração correta que o setor elétrico vai vivenciar a partir de agora.” E completou dizendo que “quando precisar, as distribuidoras deveriam, de forma absolutamente preponderante atender suas necessidades regionais e o restante comprar de setor interligado nacional, qualquer que seja a fonte, eólica, solar, PCH, ou outra fonte”.

Em sua avaliação, o setor pode dar uma enorme contribuição para pós-pandemia. “temos uma indústria nacional totalmente implantada no país, em todos os aspectos, de fio a pavio, de cogeração ou de biogás”.

Em sua explanação, Reginaldo Medeiros - Presidente-Executivo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL) espanou que a entidade que representa é “uma agência de comercialização de energia, não apenas da energia elétrica e que defende um mercado livre pro etanol e para o gás, queremos um mercado livre e hoje, o mercado livre no Brasil, efetivamente, é o mercado de eletricidade”

Medeiros enfatizou a necessidade da reforma do setor, sobretudo em função dos projetos de lei que estão tramitando no Congresso Nacional, o PLS 232, no Senado e o PL1917, na Câmara dos Deputados e do esforço do Governo Federal de regulamentar por meio do Comitê de modernização do Ministério de Minas e Energia que se inspirou pela consulta pública realizada 4 há anos que aborda como temas principais um cronograma de mercado, que pode ser antecipado pela sobra de energia do país; com a separação de lastro de energia, a formação de preço horários, a revisão de encargos e subsídios e valoração os atributos das diferentes fontes por suas externalidades e características positivas.

Presidente da ÚNICA, Evandro Gussi, destacou que, a ideia de uma secretaria de Energias Renováveis no Ministério de Minas e Energia, “traria uma contribuição para imagem e reputação pra país num momento como esse” e ressaltou que, “quanto melhor e mais livre for o mercado, é melhor para o setor”.