Usina testa sistema que mede quantidade de açúcar na cana em 5 minutos

16/05/2019
Laboratório Pagamento de Cana por Teor de Sacarose (PCTS), o “Laboratório do Futuro”, em Brotas (SP). (Foto: Daniel Bertolino/Divulgação Raízen)
Laboratório Pagamento de Cana por Teor de Sacarose (PCTS), o “Laboratório do Futuro”, em Brotas (SP). (Foto: Daniel Bertolino/Divulgação Raízen)

Um dos principais fatores que determinam a qualidade da cana-de-açúcar é o seu teor de sacarose (açúcar), o que significa que quanto mais elevados os teores, melhor é a cana. O cálculo da quantidade de açúcar normalmente é manual e leva de 45 minutos 1 uma hora. Com intenção de agilizar a medidação, a Raízen inaugurou um sistema automatizado que analisa, em uma média de 5 minutos, a cana-de-açúcar assim que ela chega à unidade processadora. O laboratório Pagamento de Cana por Teor de Sacarose (PCTS), chamado de “Laboratório do Futuro”, é piloto e está em operação na planta “Paraíso”, em Brotas (SP).

O processo usualmente feito nas unidades exige que o motorista do caminhão carregado desembarque do veículo e junto de um funcionário da empresa inicia a coleta da amostragem da cana a ser avaliada.

Agora, segundo o gerente de qualidade integrada da Raízen, José Orlando, a partir da balança, o motorista recebe um QR code (em português: código de resposta rápida) e o leitor informa o local adequado onde o caminhão deve ser estacionado. Em seguida, a sonda desce automaticamente, retira a quantidade de cana que passará por análise e a descarrega em um outro equipamento onde ela será desintegrada.

A avaliação do material coletado é feita por um aparelho chamado Infravermelho Próximo (em inglês: Near InfraRed – NIR) capaz de fazer a análise simultânea de vários parâmetros, tais como as ligações químicas das substâncias que compõem uma amostra. O primeiros trabalhos envolvendo a tecnologia NIR começaram ainda no século XIX. Na década de 70, foi usado para a avaliação de diversos alimentos como as frutas, mas seu uso industrial só foi intensificado a partir da década de 90.

Com a tecnologia, a frequência da amostragem é aumentada e a precisão analítica também cresce. “Estamos muito confiantes no potencial desse projeto não só para a Raízen, mas para o setor como um todo. Quando o nível e a capacidade de amostragem são aumentados, ganham todos. O resultado vai ser muito positivo”, avalia.

A meta da empresa é expandir a tecnologia para as demais unidades em um horizonte de cinco anos. Além disso, a empresa tem a proposta de aprimorar o sistema automatizado para que seja possível comunicar na mesma hora e de maneira online as frentes de colheita, caso sejam encontradas nas amostras eventuais alterações que possam comprometer a comercialização da matéria-prima. “Isso irá maximizar a qualidade e produtividade no campo e na indústria”, completa o gerente.

O equipamento usado pela Raízen em Brotas começou a ser desenvolvido em 2016 e já passou pela homologação do Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana). A unidade processa 10 mil toneladas de cana por dia, mas há plantas, entre as 24 em operação da empresa, que chegam a processar 35 mil toneladas por dia.

 

Fonte: Globo Rural